Tudo que o ChatGPT, bancos e hospitais precisam para funcionar viaja pelo fundo do mar. Ninguém sabe. E quase ninguém o protege.
Quando você pergunta algo ao ChatGPT, a resposta viaja até o fundo do mar. Por causa de um cabo que, se quebrar, nos desconecta completamente. De repente, você não acessa seu banco. Você não acessa seus prontuários médicos. Você não tem e-mail, nem inteligência artificial para te ajudar. Você consegue imaginar?
Aconteceu com a Venezuela. E podemos aprender com isso.
99% da internet viaja por cabo. Não por satélite.
Essa é a primeira informação que quase ninguém sabe. Mais de 95% do tráfego internacional de dados mundial — e praticamente 100% na América Latina — passa por cabos submarinos de fibra óptica. Não por satélites. Não pelo ar. Por cabos que percorrem ao longo do fundo do oceano por milhares de quilômetros.
Esses cabos são o que torna possível uma transferência bancária entre Bogotá e Nova York em milissegundos. Aqueles que permitem que um médico em Caracas acesse um prontuário médico armazenado na nuvem. Aqueles que sustentam as plataformas de IA que estão redefinindo como trabalhamos, decidimos e nos comunicamos.
Sem cabos submarinos, a América Latina não tem economia digital. É simples assim.
Por que a IA precisa desse cabo — e por que isso muda tudo
O boom da inteligência artificial não é apenas uma questão de algoritmos. É uma questão de infraestrutura física. Os modelos de IA mais avançados — aqueles que processam linguagem, imagem e vídeo em tempo real — precisam transmitir volumes massivos de dados entre servidores em diferentes continentes com latência mínima.
Sem cabos submarinos de alta capacidade e baixa latência, isso não é possível. Um país com infraestrutura submarina obsoleta ou insuficiente não pode ser um hub de inteligência artificial. Não atrai hyperscalers — Google, Amazon, Microsoft — que estão decidindo onde construir seus próximos data centers na região hoje.
A América Latina tem uma janela real de oportunidade. A demanda por IA está crescendo. Investir em infraestrutura digital está buscando destinos. Países que agirem agora — que investirem em redundância, que modernizarem seus cabos, que simplificarem os marcos regulatórios — serão os hubs digitais da próxima década. Quem esperar dependerá das decisões tomadas pelos outros.
Uma lição para não ser desperdiçada
O cabo submarino que conecta a Venezuela ao mundo funcionou durante 20 anos sem um único rompimento. Nenhum. A fibra submarina é o serviço de comunicação mais confiável disponível — com uptime e 99,9999%. Para que esse cabo falhasse, foi necessário um terremoto de magnitude 7,5, o primeiro dessa magnitude na Venezuela em quase 100 anos.
A lição não é que a infraestrutura era fraca. A lição é que até mesmo a infraestrutura mais confiável do mundo precisa de redundância. Porque eventos improváveis acontecem. E quando ocorrem, a resiliência de um país depende das decisões tomadas anos antes.
A pergunta que a América Latina precisa se fazer hoje não é quando o próximo cabo vai falhar. A questão é como construir uma infraestrutura tão resiliente que, quando ela falhar — porque em algum momento vai falhar — o impacto dure horas, não semanas.
Para entender melhor este mundo
A infraestrutura que sustenta a economia digital tem seu próprio vocabulário. Em próximas edições, exploraremos cada um desses componentes em detalhes:
- Landing station — a porta de entrada de um país para a internet global.
- SPOF — por que um único ponto de falha pode desconectar um país inteiro.
- Redundância — como construir infraestrutura resiliente.
- Latência — por que a velocidade importa mais do que parece para a IA.
Paul Choiseul
CTIO Chief Technology and Information Officer
Cirion Technologies
Sobre a Cirion Technologies
A Cirion Technologies é um provedor líder de infraestrutura digital e soluções tecnológicas da América Latina. A companhia opera uma das plataformas de infraestrutura digital mais completa da região, que integra uma extensa rede de fibra óptica terrestre e submarina, interconexão com neutralidade de operadora, conectividade em nuvem, serviços de colocation e serviços digitais avançados. Essas capacidades permitem empresas, provedores de serviços e hyperscalers acelerar sua transformação digital em toda a região.
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Marcelo Pineda Arango
Global Head of Marketing, Brand & Communications
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